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Biografia Pessoal

  

Francisco Allisson Rodrigues da Silva

Nascido em 07 de Dezembro de 1996, na cidade de Currais Novos, Rio Grande do Norte

Filho de Maria Leonice Nogueira e Ivanildo Rodrigues da Silva


Cresci em Jaguaretama no interior Ceara após a separação de meus pais, onde vivi e passei dificuldades e insegurança alimentar junto a minha mãe e meus outros 3 (três) irmãos, Ivanice Rodrigues, Aline Rodrigues e Ivanildo Junior, morávamos na em um trecho da Rua Teófilo Peixoto que hoje não existe mais por conta das enchentes.

(Imagem: Ivanice, Junior, Aline, Leonice e eu)

- A dificuldade me fez aprender desde cedo o quão criativo nós precisamos ser para driblar as dificuldades, aprendi com minha mãe e depois com meus irmãos.

Minha mãe trabalhou em várias casas de família como doméstica para nos sustentar, e logo depois minhas irmãs que tiveram que trabalhar desde a infância, enquanto eu e meu irmão por sermos mais novos tínhamos todo tempo para fazer traquinagens, e explorar o mundo como dois mini pesquisadores.

- A gente caçava passarinhos, pescava e se banhava no rio a pouco menos de 1km de onde morávamos, pulava cercado alheio para comer as frutas direto da planta, catava peças de equipamentos eletrônicos nos chamados "muturos" (lugar onde as pessoas jogavam o lixo seco) para com eles criar brinquedos, juntávamos reciclagem para vender como; cobre, alumínio, garrafas de vidro retornáveis.

Podíamos ter qualquer dificuldade, mas a escola sempre foi prioridade e uma obrigação para nós, pois nossa mãe fazia de tudo para que não faltássemos aula, por vários motivos que para nossa situação  condição a  ida  à escola era mais que necessário, pois na escola tinha alimentação, educação e garantia tempo livre para ela trabalhar e descansar, além de que naquela época um numero necessário de faltas era o suficiente para perder o beneficio social chamado "bolsa escola", por tanto, tínhamos de ir a escola fizesse chuva ou sol, tanto que eu com 4 anos de idade eu já frequentava, pois na época só se matriculava a partir de 6 a 7 anos.

(Imagem: Festa do ABC do Júnior)

Para nossa sorte sempre fomos queridos pelas pessoas que moravam próximos, pois reconheciam nossa humildade e assim também nos ajudavam, tínhamos um vizinho que trabalhava numa padaria e todas as noites por voltas das 18:00 ele nos traziam pães, criamos até uma música para quando ele chegar ir lá na porta dele e cantar "Chico me dê um pão lá na casa do João" ele vinha sempre sorrindo e nos trazia numa sacolinha com 4 a 8 pães.

- Enquanto isso minha mãe continuava procurando maneiras de nos manter nutridos, muitas vezes até mesmo deixava de comer para nos dar, além de que minhas irmãs também faziam trabalhos em horários livres da escola, vendiam broas de farinha de mandioca, buchada e panelada nas ruas de casa em casa para garantir além do alimento, boas roupas e materiais escolares, pois o beneficio não era o suficiente, e ajuda que recebíamos não nos dava conforto total, mas já nos mantinha esperançosos e fortes para continuarmos lutando por um futuro melhor.

Tanta gente nos ajudou que seu eu fosse citar todos seria injusto, mas vale apena citar os que convivi diretamente, Meus Tios irmãos da minha mãe, Severina, Gilberto, Iranilce (In Memoria), Iracildo (In Memoria) e outros não convivi muito mas estavam sempre preocupados conosco, Tia Maria e Tio Nilson, os vizinhos amigos da minha mãe  "Tia" Socorro que não era tia, mas era e ainda é um apelido carinhoso e seu filho Sergio (In Memoria), Chico e sua esposa Dominga (In Memoria) e Meus padrinhos Ismar e Maria. Cito todas essas pessoas de forma especial, mas seus filhos também nos ajudaram e conviveram conosco durante nossa fase de inseguranças, e deixo aqui minha verdadeira gratidão a cada um deles. 




 Nossa casa era composta por uma sala que tomava dois vãos com uma entrada no canto direito do fundo que dava para a (sala de janta) como chamávamos, ao lado esquerdo da sala de janta havia uma entrada para o quarto, e no fundo uma saída para a cozinha, na qual ao lado esquerdo da cozinha havia uma entrada para o segundo quarto que usávamos como banheiro e dispensa, que também ligava ao quarto número uma entrada na parte superior, ao total 5 cômodos perfeitamente divididos, Durante um dos maiores invernos registrados na região, chovia e ventava muito forte,
 foi quando um cômodo nossa humilde casa desabou enquanto tomávamos o café da manhã, lembro como se fosse ontem, nos todos  reunidos na salinha em volta da mesa comendo biscoito com café, por sorte apenas a dispensa desabou e o restante ficou com rachaduras. 

- Nessa hora todos correram para fora em desespero chorando, e eu sem entender nada fiquei lá como se nada tivesse acontecendo, quando gritaram lá de fora que a casa estava caindo, foi quando eu saí correndo em desespero e chorando para o lado de fora.

No mesmo dia a Tia Socorro nos ofereceu uma casa para ficarmos até as coisas melhorarem, na Rua que hoje é Avenida Pe. Sebastião Marleno, e em menos de um ano recebendo a ajuda de muitos, minha mãe conseguiu alugar uma casa na Rua Trav. Pierre Mourão, onde moramos por vários anos.

Minhas irmãs ainda menores de idade trabalhavam m um Super Mercado, onde todos os meses já podiam trazer uma feira para casa, enquanto eu e meu irmão fazíamos trabalhos nas Sexta Feiras onde acontecia as feiras públicas, éramos ajudantes de feirantes e todas as sextas feiras também trazíamos frutas e legumes não aproveitados para casa, além de continuar com a pesca, as caças e a reciclagem também vendíamos picolé para o "Beto Aleijado" e para "Sorveteria Oba", Também vendíamos limões em bares, limões doados pela minha Tia Iranilce, que amava plantar plantas frutíferas.

Isso é só uma pequena parte da história de tantas coisas que eu vivi enquanto criança e que construiu parte do que sou hoje.

Se você chegou até aqui muito obrigado pela dedicação do seu tempo! e tenho muito mais para contar e para você conhecer através desse Blog e Portfólio.



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