Herança e Inspiração do Reisado
Na região em que morei as pessoas costumavam se reunir durantes a Festa de Reis, chamado de Reisado, no qual homens fantasiados dançam e fazem versos em volta do boi que é a atração principal do espetáculo, na época deu sustento das famílias dos muito brincantes que durante as apresentações pediam dinheiro e alimentos para o grupo, logo depois tudo era dividido igualmente entre todos os brincantes.
Meus tios maternos e meu Avô materno foram brincantes durante muito tempo, antes mesmo do meu nascimento o grupo se desfez e foi cada um para o seu lado cuidar de suas famílias, mas minha mãe sempre me contava como eram feitos as brincadeiras, como se vestiam e o que ganhavam.
Na cidade surgiram outros grupos meio aos poucos que ainda resistiam, e tive a sorte de poder assistir várias e várias vezes em vários locais da minha cidade, e por mais que eles se vestissem de maneira assustadora eu não tinha medo e sempre tentava acessar os bastidores para ver quem estava por trás daquelas máscaras, isso me inspirava de tal forma que ao chegar em casa eu reproduzia tudo numa brincadeira com meu irmão e os moleques da rua.
Contato Musical na infância
Enquanto a família da minha mãe era mais ligada as artes cênicas com o reisado, a família do meu pai tinha uma descendência de músicos, no qual meu avô tocava violão e cantava, e alguns de meus tios também tomaram as mesmas inspirações, mas enquanto criança isso nunca foi me contado devido a separação e as poucas informações que eu tinha, e nem mesmo tinha interesse de buscar naquela época.
Mas devido ao reisado eu já gostava de música ao ouvir as canções, as rimas e toda aquela festa em volta, eu construía no quintal de casa minha própria bateria com latas, baldes e tampas de panelas, e passava manhãs inteiras tocando e cantando como se estivesse num palco em um show lotado. Já dentro de casa passava horas escutando a fitas e os Cds das minhas irmãs que curtiam músicas de MPB, Pop Rock nacional e além dos famosos Flashbacks com músicas internacionais de todo canto do mundo.
Juntava meu brinquedos e formava uma banda em que eu mesmo reproduzia os sons de cada instrumento e isso me inspirava cada vez mais em todas as outras brincadeiras culturais que me faziam driblar e esquecer dos momentos mais difíceis que já passamos em família.
Paixão pelo Circo
No inicio do século 21, em meados de 2002 a 2004, um Circo chegou a cidade com o nome Circo Estrela Guia, se comentava pela cidade a chegada do tal circo, e eu criança ainda, quando eu soube e vi o carro de som passando com os palhaços fiquei louco para ir, mas por ser de classe humilde minha mãe não tinha condição de pagar o ingresso, mesmo assim fui para a noite da estreia e fiquei lá fora escutando e imaginando tudo até terminar o espetáculo, do lado de fora deu para eu ver o entra e sai dos palhaços, as gargalhadas que na maioria das vezes eu não havia escutado a piada, mesmo assim no outro dia fui novamente com meu irmão, sem dinheiro, ficamos lá fora, eis que no entra e sai dos palhaços um deles nos percebeu, um palhaço de certa idade, cabelos longos e nariz pontiagudo, ele percebeu o sorriso daquelas duas crianças apenas em ver um palhaço por alguns segundos, ele se aproximou e pediu para o porteiro nos deixar entrar, uma felicidade incomparável para nós, entrei no circo como se fosse um outro mundo, e o tal palhaço entrou em cena, ele chamava se Fagulha, que naquele momento tornou se toda minha fonte de inspiração, desde esse dia eu com meus irmão brincávamos em casa de Circo, e eu sempre era o palhaço, o Fagulha, essa brincadeira durou por anos, até meus irmãos crescerem, mas eu, brinco disso até hoje.
Nunca mais eu soube do paradeiro do Circo Estrela Guia e do Fagulha veterano... Mas carrego esse nome como legado em homenagem!
Inspiração pela Escrita e Poesias


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